Defendo um campo livre, ilimitado, no pensamento científico pois essa é a melhor forma de evoluir o nosso conhecimento. Os cientistas não deviam ter medo e não deviam ser castigados por defenderem a existência de raças ou diferenças de inteligência entre as mesmas. Também não deveriam ter medo de discutir diferentes hipóteses para o aparecimento da homossexualidade. Se as opiniões deles estiverem erradas a própria comunidade científica as invalidará.
Limitar a liberdade de pensamento científico é impedir o desenvolvimento de novas teorias e novas formas de encarar a realidade. A meio do século XX, os cientistas que procuraram estudar a sexualidade humana com maior rigor, foram incentivados a não o fazer. Ofendia a moral. Actualmente isso é um resquício da mentalidade retrógrada dos nossos antepassados. A moral muda, mas enquanto não o faz, limita, muitas vezes o conhecimento humano.
No séc. XVII quando surgiu a inoculação, muitas pessoas manifestaram-se contra. Não tínhamos o direito de tratar doenças quando estas eram criadas por Deus. Este pensamento ainda é vigente em alguns círculos muçulmanos. Em consequência acabou-se com a vacinação em larga escala, patrocinada pela ONU, para acabar com a Poliomielite e milhares de casos novos da doença começaram a surgir. A ciência tem o dever de saber tratar as doenças e compreender o seu mecanismo. A aplicação dos conhecimentos e da tecnologia deve ser decidida pela moral da época. Mas isto não implica limitar a liberdade científica.
Este problema intensifica-se porque os cientistas são parte integrante da sociedade. Dean Hammer afirmava ter descoberto o gene gay em 1993. James Watson, de seguida, advogava que as pessoas tinham direito a este conhecimento e decidir pelo aborto, se o desejassem, caso este gene fosse encontrado nos seus filhos. Mais tarde provou-se que ainda não se tinha encontrado o gene gay. Mas a questão central é mais importante: será que a ciência nos dá a permissão de abortar se o nosso filho tiver genes gay (caso existam)?
Os cientistas têm direito à sua opinião seja ela certa ou errada, politicamente correcta ou não. Além do mais a sua opinião raramente é unânime. Outros membros da comunidade científica podem opor-se a esses pontos de vista, como geralmente ocorre. É o livre diálogo e troca de ideias que nos permite ter a noção do actual conhecimento científico e das suas aplicações.
Defendo esta ideia para mostrar que a última questão colocada é errada. Mais uma vez a descoberta de genes ligados à homossexualidade, quando acontecer, pode ser um conhecimento importante para compreendermos um pouco mais do nosso funcionamento enquanto seres biológicos. O problema da realização do aborto já tem a ver com a nossa moral. Será o aborto uma violação da dignidade humana? Um crime contra a humanidade? Isso já sai fora da esfera científica. É um problema moral a ser resolvido pelas pessoas.
Pessoalmente não compreendo porque se ataca tanto o aborto de pessoas com genes gay e não se ataca o aborto de pessoas sem genes gay. Acho a situação realmente absurda. Mas não é um problema científico e sim um problema da nossa consciência.
Letras soltas de 4 epilépticos neuróticos... religiosos até ao tutano portanto!
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Ciência e Moral - parte I
James Watson, prémio Nobel da Medicina por ter descoberto a dupla hélice do DNA, juntamente com Francis Crick, foi despedido após ter feito afirmações relativamente a uma suposta diferença de inteligência entre a raça branca e a raça negra.
Não venho neste texto falar sobre diferenças de raças ou sobre Watson mas sim sobre um problema de maior relevância. Este problema aborda as ligações da ciência com a moralidade e a liberdade de pensamento que os cientistas devem ter.
Não venho neste texto falar sobre diferenças de raças ou sobre Watson mas sim sobre um problema de maior relevância. Este problema aborda as ligações da ciência com a moralidade e a liberdade de pensamento que os cientistas devem ter.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Quem é cientista? – parte II
A história da pulga é a melhor para tentar explicar o método e a forma como se pensa em ciência. Vamos supor que temos uma pulga que obedece às nossas ordens. Dizemos à pulga para saltar e ela salta. Desenvolvemos então a teoria de que a pulga tem os ouvidos nas pernas. Para provar essa teoria cortamos as pernas à pulga e ordenamos-lhe que salte novamente. Desta vez a pulga não salta. A nossa teoria fica provada: a pulga tem os ouvidos nas pernas.
Pensar em termos científicos consiste em tentar encontrar falhas neste tipo de pensamento. Podemos questionar-nos sobre uma série de coisas: (1) poderão as pernas ser as responsáveis pelo salto e, como tal, a pulga ouve-nos mas não consegue saltar?; (2) poderá existir um mecanismo nas pernas que conduza informação do ouvido para outra região responsável pelo salto e esse mecanismo ter ficado interrompido?; (3) poderá esta pulga ser um caso isolado e outras pulgas serem capazes de saltar sem pernas?. Estes são 2 exemplos da forma como se pode abordar o caso.
Pensar em termos científicos consiste em tentar encontrar falhas neste tipo de pensamento. Podemos questionar-nos sobre uma série de coisas: (1) poderão as pernas ser as responsáveis pelo salto e, como tal, a pulga ouve-nos mas não consegue saltar?; (2) poderá existir um mecanismo nas pernas que conduza informação do ouvido para outra região responsável pelo salto e esse mecanismo ter ficado interrompido?; (3) poderá esta pulga ser um caso isolado e outras pulgas serem capazes de saltar sem pernas?. Estes são 2 exemplos da forma como se pode abordar o caso.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Quem é cientista? - parte I
Quem é cientista? Como se pode definir um cientista? De acordo com algumas definições que eu já ouvi, um cientista tem de ser doutorado. Se não é doutorado não é cientista. Na wikipédia cientista é definido como uma pessoa que se dedica ao estudo de uma ou várias ciências.
Então, um dos problemas a resolver é saber o que é uma ciência. Vivemos num mundo onde temos as ciências humanas, ciências ocultas e outras tantas. A Astrologia é vista como ciência, a homeopatia é vista como ciência, a Medicina Chinesa é vista como ciência, a Física é vista como ciência. Na wikipédia define-se ciência como “o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais ou a operação de leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método científico”.
Então, um dos problemas a resolver é saber o que é uma ciência. Vivemos num mundo onde temos as ciências humanas, ciências ocultas e outras tantas. A Astrologia é vista como ciência, a homeopatia é vista como ciência, a Medicina Chinesa é vista como ciência, a Física é vista como ciência. Na wikipédia define-se ciência como “o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais ou a operação de leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método científico”.
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